Sempre achei que no final nós ficaríamos juntos. O estranho de pensar isso é que nunca consegui ver um futuro pra nós. Cheguei ao limite do sonhar acordada. Esgotei toda minha carga de ilusões imaginando que cada novo capítulo que acrescentávamos na nossa história terminaria diferente, mas no fim sempre se repetia, parecia o mesmo conto.
Ativei todo meu mecanismo de defesa contra você. Construí uma barreira impenetrável ao meu redor. Ao decidir não sofrer, escolhi não sentir. Esforcei-me por pessoas que valiam a pena. Cansei. Cansaram. Sei lá. Tanto faz. Passou. Cansei. E sem querer, por um descuido momentâneo, baixei a guarda, e novas linhas começaram a ser escritas naquele livro todo igual, mas que já havia oficialmente um ponto final.
Fraquejei sim, mas não por completo. Joguei fora o meu escudo, mas continuei vestida na velha e surrada armadura. Em meio ao epílogo, e talvez a última oportunidade de salvar essa história ruim, percebi que não quero um fim diferente. Tenho medo. Vergonha. Receio. Prefiro eliminar qualquer chance de sofrer adiante. Não fosse minha autossabotagem, quiçá dessa vez até funcionasse. Talvez por tamanha covardia eu não mereça nós dois.
Sei que muitas águas ainda vão rolar, mas vejo um final feliz se aproximando. Não o que esperei minha vida toda, porém é como deveria ter sido desde o princípio. Imagino claramente conseguir conversar em paz com você. Sem tremer as mãos. Sem frio na barriga. O coração batendo em seu compasso natural. Juntos para vida toda, nutrindo apenas o sentimento que nos aproximou, o único com força o suficiente para nos manter unidos apesar de tudo: a amizade.
"Ao decidir não sofrer, escolhi não sentir". Esse caminho é tão difícil, Deinha, e tão perigoso...
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